ANTONIO DIAS

CAMPINA GRANDE | PARAÍBA | BRASIL | 1944

Antonio Dias condensa sua pesquisa estética nos anos 1960, quando explora novos meios e suportes para atingir a corporeidade anunciada em seus primeiros trabalhos. Conjugando abstração construtiva e figuração, seus quadros negam a homogeneidade por meio de texturas, relevos e rupturas.

Os títulos dos trabalhos desse período sugerem uma falsa totalidade, frustrada pela dilaceração de objetos e imagens. Os objetos são tratados como superfícies simplificadas pela cor, e as imagens explodem da tela e ganham extensão física por meio de apêndices. O desejo explícito de romper com o cânone tradicional, experiência também perseguida pelos artistas neoconcretas, traz para o debate estético a turbulência social dos anos 1960.

O artista incorpora a escrita como elemento gráfico e semântico, intensificando as relações entre artes visuais, poesia e cinema, como na série The Illustration of Art (1971-1974). O título transita entre o pejorativo “ilustrativo” e o erudito “ilustrado”, ambos os sentidos em chave irônica. Nessa série, imagens e sequências interrompidas de formas modulares são ordenadas pela lógica sugerida pelo artista, propondo campos de jogos e camuflagens que se fingem imagens espaciais. The Illustration of Art / One & Three / Stretchers / Models (1971) exemplifica a operação formal e lógica que permeia os trabalhos da série, estimulando o observador à ação, ainda que esta seja apenas o gesto virtual de completar as possibilidades de acomodação das formas.

 

 

Composição, Gravura em metal, 50x70cm