07. CROSS THE LINE | DON’T CROSS THE LINE

CURADORIA DE PAULO AZECO - 23 OUT A 26 DE JAN

Desde o surgimento da imprensa escrita os artistas estiveram presentes como ilustradores e projetistas. Isso tomou uma proporção maior com o francês Toulouse Lautrec, que desenvolveu cartazes para cabarés a partir de 1890. Ao aliar estética, pesquisa, forma e comunicação em uma peça gráfica, Lautrec foi considerado por muitos o primeiro designer gráfico da história.

Essa simbiose encontra na Bauhaus terreno fértil onde artistas e designers produzem em conjunto uma nova estética aplicada a cartazes e panfletos. No Brasil, um exemplo forte dessa relação talvez seja Alexandre Wollner, que inicia sua carreira como artista e posteriormente se torna o mais renomado designer gráfico do país.

Os designers viam na arte inspiração para peças gráficas destinadas aos mercados publicitário, editorial e político, como pode ser visto no segundo andar. Na Pop Art essa relação se inverte, os artistas passam a olhar esse universo e ressignificá-lo, utilizando esse material gráfico como ferramenta de expressão artística.

H73 apresenta três trabalhos inéditos feitos a partir de colagens de fitas adesivas. Nas estradas observa-se a variação do ponto de fuga e o estudo de diferentes perspectivas e apropriação dos elementos gráficos comuns das placas de sinalização. No caso das serigrafias de Allan D’arcangelo, a maneira de lidar com a perspectiva se dá a partir de relevos formados pelo uso das cores. Abidiel Vicente transforma a apropriação da criação gráfica em algo novo e contemporâneo.

06. ROBERT INDIANA – A LOVE LETTER | MEL RAMOS – O CLICHÊ COMO RUPTURA

CURADORIA DE PAULO AZECO - 21 DE JUL A 06 DE OUT 2018

A Love Letter

Talvez não exista um artista tão ligado ao amor quanto Robert Indiana. Em 1965 o artista criou para o MoMA de NY, um cartão de Natal com a palavra “LOVE” que logo se tornou o a imagem mais emblemática de toda sua produção. A partir deste cartão foi posteriormente, em 1970, produzido uma escultura ( primeiro em Nova York e depois em várias cidade no mundo ) e também em uma série de silkscreens com variações cromáticas e que fazem parte dessa exposição.

Indiana no inicio da sua carreira, se alinhou ao pensamento artístico radicalista dos seus amigos Ellsworth Kelly e Agnes Martin, mas não demorou para que sua obra se alinhasse, mesmo que de forma marginal, a cena Pop que dominava a cidade nos anos 60 e 70. E essa exposição busca tratar disso, de como um artista que só usava de símbolos e letras, se tornou tão relevante para Pop Art e mais que isso, tratava a partir desses elementos o Amor como força motriz do seu trabalho.

Uma de suas séries mais importantes, e também presente nessa mostra, é aquela na qual ele homenageia o artista americano Mardsen Hartley, morto em 1943. Hartley foi talvez o primeiro artista americano a pintar basicamente por meio de símbolos e que acabou influenciando a produção de Indiana. Na trilogia apresentada aqui na exposição, “The Hartley Series ( Berlin Series )” de 1990, ele se baseia na obra do pintor para contar a relação de amor que Hartley nutriu pelo tenente prussiano Karl von Freybourg, durante o período em que viveu em Berlin. Karl acabou morrendo durante a guerra em 1913, e isso afetou toda a vida e obra posterior de Hartley.

Essa homenagem reafirma como o amor, semiótico ou efetivo, compõe o cerne da pesquisa de Robert Indiana ( nascido em setembro de 1928 e morto recentemente, em maio de 2018 ). A exposição busca retratar esse Amor, nas mais diferentes formas abordadas por Indiana e enaltecer o trabalho de um dos artistas americanos mais importantes do século XX.

 

O Clichê como Ruptura

Mel Ramos é um dos maiores nomes da Pop Art americana. Nascido em 1935 na Califórnia, sua obra sempre foi relacionada a sexualidade e erotismo, mas pautada pela representação dos corpos reais. Buscava a beleza na diferença, na mulher real, assunto que hoje é uma das grandes questões. De certa forma sua obra dava poder a aquela mulher idealizada pelas revistas e ao mesmo tempo diminuída pela sociedade machista. Mas ainda assim, na década de 1970, foi alvo do ódio e incompreensão do movimento feminista.

Ramos continua ainda hoje produzindo imagens de mulheres nuas, pneumáticas, emergindo tal qual o “Nascimento de Vênus”, surgindo de embalagens de balas e chocolate, carregando charutos enormes e brincando com o imaginário de seus espectadores. O que é diferente é que durante uma história de 50 anos de imagens cada vez mais sexualmente provocativas na arte, mídia e cultura popular em geral, fez com que as pinturas de Ramos pareçam comparativamente inocentes nos dias de hoje.

Seu trabalho sempre esteve na beira da provocação entre o gosto aceitável e o inaceitável. No início dos anos 60, ele produziu imagens de heroínas de histórias em quadrinhos como Wonder Woman e Phanton-Lady ( presentes nessa exposição ). Ao contrário das mulheres nas pinturas de Roy Lichtenstein, as musas do Mel Ramos não eram apenas cópias ampliadas, levemente modificadas, de imagens em quadrinhos. Sua inovação foi modelar sua imagem em mulheres reais – estrelas de cinema como Jane Russell e Marilyn Monroe ou modelos anônimas. Portanto, apesar de seu estilo cômico irrealista, as mulheres de Ramos tinham uma presença erótica que as mulheres de revistas em quadrinhos da época nunca tiveram. Eram a combinação inteligente de sofisticação intelectual, consumismo criterioso e o hedonismo da época.

Por outro lado, seja por convicções estéticas, pudor ou política, o mundo da arte moderna da Europa e da América só hoje começa a repensar a questão do nu contemporâneo feminino na arte e reavaliam o trabalho de mestres como Mel Ramos. A exposição aqui propõe fazer um recorte da produção desse artista, que como nenhum outro soube escandalizar, ridicularizar a indústria do consumo americana e dar poder a figura da mulher, muito antes de isso ser pauta fácil na discussão sociológica.

 

05. CLAUDIO TOZZI

INDIVIDUAL DE CLAUDIO TOZZI - CURADORIA SOFIA GOTTI - 10 DE ABR A 09 DE JUN 2018

Artistas

Claudio Tozzi é um dos artistas mais ressonantes e importantes do Brasil desde os anos 1960. Sua prática atravessou múltiplas fases e, a cada passo, seu trabalho polimórfico cresceu de acordo com uma investigação formalista linear e incessante. Começando por experimentar silkscreens Pop, ampliações fotográficas e pintura figurativa, ele passou para filme, instalação, pinturas acrílicas esculturais, esculturas de parede em metal, técnicas e materiais de uma enorme variação. Para esta exposição, que reúne trabalhos realizados ao longo de quatro décadas de sua carreira, convidamos os espectadores a serem tocados pela dimensão subjetiva de cada obra, a fim de acolher conexões novas e inesperadas em toda a sua obra.

Obras no térreo falam de como Tozzi mascarou a crítica política e social com uma linguagem visual muitas vezes lúdica e acessível. A seleção apresenta imagens recorrentes de mulheres e casais em diferentes estágios de sua prática, refletindo sobre a mudança dos papéis de gênero e a luta das mulheres pela igualdade. A partir do final dos anos 1960, ele abordou esses temas como emblemas de uma batalha pela total liberdade física e intelectual, ameaçada por uma sociedade tradicionalista que ditava normas e por um sistema político imposto pelos militares durante a ditadura. Os trabalhos expostos documentam as diversas estratégias que Tozzi implantou para atingir seu objetivo, que incluiu exibir sua arte no espaço público, usando trocadilhos para zombar do status quo (Zebra e Bananeira), ou apresentando imagens e situações tensas ( O Grito, Fotograma).

1968 marcou uma crise na prática de Tozzi, período no qual a fiscalização sobre a intenção subversiva de seu trabalho tornou-se uma prioridade. O ciclo de Parafusos captura esse ponto de virada em sua estética. O símbolo horrível de um parafuso perfurando um cérebro transmite uma sensação de dor que gera um grito silencioso, pedindo-nos que resista a quaisquer limitações impostas à vida intelectual – uma intenção semelhante à de O Grito (1971), exposta no andar de baixo. Como a linguagem visual de Tozzi tornou-se cada vez mais abstrata e metafórica, a história do Brasil continuou seu torturante caminho para o fim da ditadura em 1985. A série intitulada Pasagens foi iniciada no ano anterior, quando ocorreram as maiores manifestações públicas contra o governo militar de João Figueiredo. As estruturas imaginárias e as escadarias retratadas nestas obras constroem uma metáfora sobre a concepção modernista de arquitetura: a que reflete sobre como ambientes podem influenciar aqueles que os habitam. Como tal, as escadas confusas e isoladas nos levam a questionar qual caminho seguir. Em 1984, elas nos levam a imaginar que elas nos levariam na esteira de um retorno rumo à democracia.

04. AUTOBAHN

Primeira individual do artista Abidiel Vicente na Galeria Houssein Jarouche / 01 fev a 31 mar 2018

Artistas

“Autobahn” é o nome da nova série do artista Abidiel Vicente. Ele aprofunda sua pesquisa em ressignificação de elementos de sinalização e iconografia urbana, estabelecendo um interessante diálogo com o universo da música. O ponto forte desse novo trabalho é a utilização, pela primeira vez na trajetória do artista, da pintura sobre tela.

Na exposição, é possível encontrar algumas das características dos seus mais de 10 anos de produção artística. Estão ali o universo imagético de Berlim, a utilização irônica dos produtos de consumo de massa e uma leitura, bastante eficaz, da sociedade atual – incluindo aí as redes sociais e suas novas maneiras de mediar o contato com o mundo. Mas o que reúne todo esse crash de referências é a estética pop, e seus grandes mestres, como Andy Warhol, Allan D’Arcangello e Jasper Johns. Abidiel, que é um grande pesquisador das vanguardas da década de 1960, transporta seus elementos para uma produção contemporânea, dialogando de maneira contundente com o seu tempo.

Ao abordar vários momentos de sua trajetória, o corpo de sua obra se torna mais potente e fica explícito como o artista transpõe suas observações do mundo para trabalhos que o colocam a frente do pop, que, num primeiro momento define visualmente suas imagens. Seus trabalho se situa dentro da contemporaneidade, dos artistas que conseguem entender seu momento e lugar no mundo,transformando isso em arte de forte reflexão.

03. ANTES E DEPOIS DA IMAGEM

Um olhar sobre a abstração e a geometria no acervo Houssein Jarouche / CURADORIA LUISA DUARTE / 30 NOV - 27 JAN 2018

Antes e depois da imagem: um olhar sobre a abstração e a geometria no acervo Houssein Jarouche: este título procura instaurar uma inflexão em meio a um projeto que abriu as portas, ainda esse ano, tendo como DNA a Pop Art – tanto por meio de edições de grandes mestres norte-americanos quanto de obras assinadas por ícones da Nova Figuração Brasileira. Sabemos que a primeira equação pop – arte é igual a mercadoria – tem o seu paroxismo na obra de Andy Warhol. O artista não apenas produzia em série, como chamava seu ateliê de “fábrica”. Testemunhamos o mesmo tratamento formal à imagem do luto de uma primeira-dama no enterro do marido assassinado (Jackie O.) e a uma lata de sopa ou de sabão em pó (Campbell e Brillo). Essa é a sua sofisticação maior. Antever o embaralhamento completo da aura. A pop art articula, no campo artístico, uma sociedade de consumo nascente no pós-guerra e, com ela, uma acidez crítica, de caráter ambíguo, já que tanto promovia quanto ironizava a junção de uma imagem banal e o mundo da mercadoria. Estamos, assim, diante de um procedimento poético/político no território da arte, que sublinha o embaralhamento entre realidade e cópia, simulacro e real.

Antes e depois da imagem busca uma tonalidade afetiva diversa à da pop art. A mostra é fruto de uma pesquisa que detectou, no acervo da galeria, um conjunto de obras que se vincula ao legado ora minimal, ora abstrato, ora geométrico, ora atravessado por um acento pop, mas sem abrir mão de uma natureza construtiva. Essa observação curatorial, que se dedicou ao acervo da galeria, selecionou trabalhos de artistas de diferentes gerações e latitudes: Ann Hamilton (1956) , Ed Ruscha (1937), Frank Stella (1936), Geraldo de Barros (1923 – 1998), Iran do Espírito Santo (1963), Ivan Serpa (1923–1973), Judith Lauand (1922), Luiz Zerbini (1959) , Max Bill (1908–1994), Rodrigo Torres (1981).

Seria uma tarefa destinada à incompletude buscar, no espaço deste breve texto, situar historicamente cada um dos nomes acima, contextualizando- os em uma linha do tempo do século XX, a fim de estabelecer elos com o passado e o presente. Mas podemos enunciar algumas aproximações breves. O primeiro andar alinhava Ed Ruscha, artista histórico que converge pop e minimal (é preciso perceber que as suas cartografias geométricas hospedam palavras à espera de sentido). Em seguida testemunhamos um diálogo com serigrafias do suíço Max Bill (1908-1944): sabemos que o concretismo, um tipo particularmente rígido de abstração geométrica que se desenvolveu na Europa na primeira metade do século XX, teve em Bill uma de suas figuras centrais. Já Frank Stella surge com trabalhos sutis, diretamente ligados à série de suas consagradas “Black Paintings”. Quem dialoga com Stella é Ann Hamilton. Uma cuidadosa trama une, por sua vez, Lauand, Serpa, De Castro, Geraldo de Barros, Max Bill e Iran do Espírito Santo, no segundo andar. Em cada momento, um artista contemporâneo brasileiro se faz presente em meio a nomes de gerações e latitudes diversas – Zerbini e Iran. Um ato simples, mas que sinaliza a amplitude do diálogo proposto.

Incorporadas todas essas etapas, importantes para a compreensão de um certo fio mínimo da história da arte, o que nos interessa se encontra no gesto capaz de instaurar alguma diferença diante do ruído generalizado do mundo atual. As obras aqui reunidas solicitam silêncio, pausa – se possível, um olhar paciente, passível de aproximações e distâncias. A sutileza que não se confunde com fragilidade presente na maior parte dos trabalhos de Antes e depois da imagem: um olhar sobre a abstração e a geometria no acervo Houssein Jarouche, a meu ver, tem a chance de inspirar um outro modo de habitar o tempo, em meio a uma época constantemente ansiosa, acelerada, tanto quanto, por vezes, vazia de sentido. “Olhar o passado faz sentido à luz da urgência do presente”, nos lembra Walter Benjamin. Eis a forma potente de nos apropriarmos desse acervo hoje pensado, exibido e, portanto, vivo.

02. FRAUENPOWER

a figura feminina a partir da pop art / curadoria paulo azeco / de 16 de setembro a 25 de novembro 2017

Frauenpower, expressão alemã utilizada para designar o poder feminino define de maneira certeira o trabalho da artista Pop Kiki Kogelnik, austríaca radicada em Nova York.

A pesquisa sobre a sua produção, mais especificamente a série “Woman” da década de 1970, surge como alicerce desta exposição. Estes trabalhos se distanciavam de alguns dos principais preceitos ideológicos da Pop Art, evitando a celebração do comércio e dos objetos cotidianos. O ponto fundamental neles é a imagem feminina; ora frágil, ora sexualizada, conforme retratada na publicidade da época. São trabalhos discretamente feministas, irônicos e com forte carga imagética Pop.

A partir disso, reconhecendo a arte como veículo de significação e comunicação visual, pretende-se investigar a imagem da mulher retratada, e a mídia como influenciadora da construção de um imaginário do corpo feminino. A exposição tem como foco, resgatar um percurso histórico das representações visuais da mulher a partir das vanguardas da década de 1960. E busca discutir questões relevantes sobre a idealização do corpo feminino, a construção de padrões estéticos– e uma possível resistência a esses padrões, bem como, analisar questões sociais e antropológicas dessas imagens.

A reflexão sobre o trabalho de Kogelnik transita entre temas fundamentais do movimento Pop e que se desdobram na contemporaneidade. O ideal de beleza e perfeição, arquétipo da Vênus de Botticelli, surge como base da construção dos processos de autoimagem e consequentemente, negação e afirmação, vistos nos trabalhos de Marina Abramovic, Sandra Gamarra e Lenora de Barros, e que encontram na figura da musa ( ícone ) seu contraponto, característica fundamental na produção de Andy Warhol e Russel Young.

A exposição aborda ainda a questão do consumo a partir da objetivação dos corpos, sexualização e misoginia e a consequente influência imagética feminina na figura masculina, transcendendo limitações de gênero, observados nas imagens de Vânia Toledo, Nan Goldin e Carlos Vergara.

01. TERRE HAUTE HIGHLAND: POP ART

coletiva inaugural da galeria / curadoria sofia gotti / de 04 de julho a 09 de setembro de 2017

A exposição inaugural da Galeria Houssein Jarouche apresenta trabalhos em papel de artistas do Reino Unido, Brasil e EUA, selecionados a partir do acervo da galeria. Através da lente da Pop Art, direciona a nossa atenção para alguns dos problemas que ocuparam a geração da década de 1960, com os quais continuamos a nos preocupar até hoje. Evitando uma ordenação cronológica ou geográfica, queremos destacar as inúmeras conversas que emergem entre as obras produzidas internacionalmente ao longo de um período de cinquenta anos.

Terre Haute (Terras altas) – que também dá nome à exposição – é uma cidade no vale Wabash no estado de Indiana, E.U.A. Originalmente uma aldeia indígena chamada Weautuno, foi renomeada pelos exploradores franceses no começo do século XVIII, ápice da era das colonizações. Robert Indiana, figura no panteão dos principais artistas da Pop Art americana, usou esse nome em diversos trabalhos, fazendo interpretações da área atravessada pela estrada de ferro Wabash. Esses trabalhos “sobre geografia”, nas próprias palavras de Indiana, chamam a atenção crítica para os nomes traduzidos da cidade e do vale Wabash, que é a grafia em inglês da palavra que os índios Miami usam para designar ‘rio’.

Essa breve história sobre o nome Terre Haute captura muitas das questões que a Pop Art levanta, enquanto entendida como uma categoria artística internacional, abordadas nas obras expostas: nomeação, tradução, imperialismo e exploração. O Pop surgiu internacionalmente ao final dos anos 1950 e começo dos anos 1960 em resposta a uma mudança no ritmo do dia a dia, à proliferação da cultura comercial e ao movimento de liberação sexual. Desafiando a separação entre ‘alta arte’, elitista por definição, e ‘arte popular’, caracterizada pela acessibilidade e seu uso de lugares comuns.