CLAUDIO TOZZI

Claudio Tozzi é um dos artistas mais ressonantes e importantes do Brasil desde os anos 1960. Sua prática atravessou múltiplas fases e, a cada passo, seu trabalho polimórfico cresceu de acordo com uma investigação formalista linear e incessante. Começando por experimentar silkscreens Pop, ampliações fotográficas e pintura figurativa, ele passou para filme, instalação, pinturas acrílicas […]

Claudio Tozzi é um dos artistas mais ressonantes e importantes do Brasil desde os anos 1960. Sua prática atravessou múltiplas fases e, a cada passo, seu trabalho polimórfico cresceu de acordo com uma investigação formalista linear e incessante. Começando por experimentar silkscreens Pop, ampliações fotográficas e pintura figurativa, ele passou para filme, instalação, pinturas acrílicas esculturais, esculturas de parede em metal, técnicas e materiais de uma enorme variação. Para esta exposição, que reúne trabalhos realizados ao longo de quatro décadas de sua carreira, convidamos os espectadores a serem tocados pela dimensão subjetiva de cada obra, a fim de acolher conexões novas e inesperadas em toda a sua obra.

Obras no térreo falam de como Tozzi mascarou a crítica política e social com uma linguagem visual muitas vezes lúdica e acessível. A seleção apresenta imagens recorrentes de mulheres e casais em diferentes estágios de sua prática, refletindo sobre a mudança dos papéis de gênero e a luta das mulheres pela igualdade. A partir do final dos anos 1960, ele abordou esses temas como emblemas de uma batalha pela total liberdade física e intelectual, ameaçada por uma sociedade tradicionalista que ditava normas e por um sistema político imposto pelos militares durante a ditadura. Os trabalhos expostos documentam as diversas estratégias que Tozzi implantou para atingir seu objetivo, que incluiu exibir sua arte no espaço público, usando trocadilhos para zombar do status quo (Zebra e Bananeira), ou apresentando imagens e situações tensas ( O Grito, Fotograma).

1968 marcou uma crise na prática de Tozzi, período no qual a fiscalização sobre a intenção subversiva de seu trabalho tornou-se uma prioridade. O ciclo de Parafusos captura esse ponto de virada em sua estética. O símbolo horrível de um parafuso perfurando um cérebro transmite uma sensação de dor que gera um grito silencioso, pedindo-nos que resista a quaisquer limitações impostas à vida intelectual – uma intenção semelhante à de O Grito (1971), exposta no andar de baixo. Como a linguagem visual de Tozzi tornou-se cada vez mais abstrata e metafórica, a história do Brasil continuou seu torturante caminho para o fim da ditadura em 1985. A série intitulada Pasagens foi iniciada no ano anterior, quando ocorreram as maiores manifestações públicas contra o governo militar de João Figueiredo. As estruturas imaginárias e as escadarias retratadas nestas obras constroem uma metáfora sobre a concepção modernista de arquitetura: a que reflete sobre como ambientes podem influenciar aqueles que os habitam. Como tal, as escadas confusas e isoladas nos levam a questionar qual caminho seguir. Em 1984, elas nos levam a imaginar que elas nos levariam na esteira de um retorno rumo à democracia.

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