A REVOLUÇÃO BIPOLAR

O título da exposição, “A Revolução Bipolar”, deriva do livro do autor brasileiro Luis Fernandes, que aborda a Revolução Russa em seu aniversário de 100 anos. Trata do surgimento e queda da União Soviética e mais que isso, disserta seu caráter dualista: conquista e opressão, força e atraso, ascensão e colapso. Nascida na Ucrânia (parte […]

O título da exposição, “A Revolução Bipolar”, deriva do livro do autor brasileiro Luis Fernandes, que aborda a Revolução Russa em seu aniversário de 100 anos. Trata do surgimento e queda da União Soviética e mais que isso, disserta seu caráter dualista: conquista e opressão, força e atraso, ascensão e colapso.

Nascida na Ucrânia (parte da antiga URSS) na década de 1980, Pazza Pennello passou por esse momento de transição entre a queda do socialismo soviético e a abertura para o mundo ocidental. Alicerçando a estética pop a essa conjuntura a artista apresenta duas séries e um vídeo pela primeira vez no Brasil.

Na série Chic-Morden Pazza retrata a inundação dos produtos ocidentais que adentraram o país, fazendo uma analogia entre o passado soviético e o mundo ocidental. Assim ela elabora um retrato sociológico, criando um microcosmo que ilustra um dualismo mais íntimo, aquele vivido por ela. Na pintura “Anniversary”, a artista documenta uma cena cotidiana de transição social e geopolítica, mas que ao mesmo tempo é um testemunho íntimo e biográfico.

Em “Super Beam”, outra série apresentada na exposição, um feixe de luz ilumina corpos femininos nus em ambientes que remetem aos anos 1980. No ano de 1986, em um caso simbólico dessa transição da URSS, uma mulher que participava de um programa de televisão, disse ao vivo que “não havia erotismo na URSS”. Na verdade o que ela queria dizer era que o tema não era abordado na televisão do país que julgava o conteúdo como algo imoral e indecente. Em contraponto a esse cenário a obra “Super Beat”, de 2016, onde duas mulheres nuas dançam e festejam sob o feixe de luz, representando a liberdade sexual após a queda da cortina de ferro, exibindo uma nova realidade que foi encoberta por uma política de Estado que censurava a estética, o sexo e a moral.

Já no vídeo “My Corner”, a artista filma a fachada de uma loja chamada “Cinderela”, que aparece enquadrada em uma rua vazia. A narrativa é feita por uma jovem de 16 anos que expõe para o espectador como tem sido sua vida de prostituição. A fantasia do nome, oriundo dos contos de fadas, imediatamente se contrapõe com a realidade de sua fala, o depoimento nos leva a refletir sobre a situação mulher nos dias de hoje.

A obra de Pazza Pennello são retratos de uma geração transitória que acompanhou a derrocada da maior potência socialista do mundo. Dessa maneira sua obra se torna universal e dialoga com a sociedade e políticas atuais, onde opressão e nacionalismo voltam a dar sinais em todo o mundo.

Paulo Azeco

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