FRAUENPOWER

Frauenpower, expressão alemã utilizada para designar o poder feminino define de maneira certeira o trabalho da artista Pop Kiki Kogelnik, austríaca radicada em Nova York. A pesquisa sobre a sua produção, mais especificamente a série “Woman” da década de 1970, surge como alicerce desta exposição. Estes trabalhos se distanciavam de alguns dos principais preceitos ideológicos […]

Frauenpower, expressão alemã utilizada para designar o poder feminino define de maneira certeira o trabalho da artista Pop Kiki Kogelnik, austríaca radicada em Nova York.

A pesquisa sobre a sua produção, mais especificamente a série “Woman” da década de 1970, surge como alicerce desta exposição. Estes trabalhos se distanciavam de alguns dos principais preceitos ideológicos da Pop Art, evitando a celebração do comércio e dos objetos cotidianos. O ponto fundamental neles é a imagem feminina; ora frágil, ora sexualizada, conforme retratada na publicidade da época. São trabalhos discretamente feministas, irônicos e com forte carga imagética Pop.

A partir disso, reconhecendo a arte como veículo de significação e comunicação visual, pretende-se investigar a imagem da mulher retratada, e a mídia como influenciadora da construção de um imaginário do corpo feminino. A exposição tem como foco, resgatar um percurso histórico das representações visuais da mulher a partir das vanguardas da década de 1960. E busca discutir questões relevantes sobre a idealização do corpo feminino, a construção de padrões estéticos– e uma possível resistência a esses padrões, bem como, analisar questões sociais e antropológicas dessas imagens.

A reflexão sobre o trabalho de Kogelnik transita entre temas fundamentais do movimento Pop e que se desdobram na contemporaneidade. O ideal de beleza e perfeição, arquétipo da Vênus de Botticelli, surge como base da construção dos processos de autoimagem e consequentemente, negação e afirmação, vistos nos trabalhos de Marina Abramovic, Sandra Gamarra e Lenora de Barros, e que encontram na figura da musa ( ícone ) seu contraponto, característica fundamental na produção de Andy Warhol e Russel Young.

A exposição aborda ainda a questão do consumo a partir da objetivação dos corpos, sexualização e misoginia e a consequente influência imagética feminina na figura masculina, transcendendo limitações de gênero, observados nas imagens de Vânia Toledo, Nan Goldin e Carlos Vergara.

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