GIRLS ON POP

Os signos e o repertório da Pop Art original encontram-se plenamente incorporados aos dias de hoje. Por conta da difusão/profusão das imagens agora pelos meios digitais, a sociedade de consumo, com seus excessos e manias, alcançou lugares que talvez nem mesmo Warhol poderia imaginar. Se a efemeridade do Pop, o culto ao cotidiano e ao […]

Os signos e o repertório da Pop Art original encontram-se plenamente incorporados aos dias de hoje. Por conta da difusão/profusão das imagens agora pelos meios digitais, a sociedade de consumo, com seus excessos e manias, alcançou lugares que talvez nem mesmo Warhol poderia imaginar. Se a efemeridade do Pop, o culto ao cotidiano e ao banal se relacionam com o Instagram e com os filtros da vida, o olhar para o feminino e para a figura da mulher se move à força dos novos ventos.Talvez o movimento Pop seja mais lembrado como norte-americano, predominantemente masculino e às vezes sexista. Esta mostra não é sobre isso. Aqui trazemos trabalhos sob a influência dele, muitos contendo apontamentos, diálogos abertos ou papos retos.

Linguagens variadas aparecem, como a da publicidade, a da mídia e a da moda; a pintura, o bricolage; a escultura, o objeto e o mobiliário, bem como ideias de repetição e ironia se relacionam entre si.

Fotografia, colagem e impressão  – cara ou barata. Apropriações. Da caixa de joias da Tiffany’s de Fernando Zarif passando pela loja de 1 e 99 de Rochelle Costi, até o sagrado de Moisés Patrício (feito de brasileiras xuxinhas de cabelo), a coisa se desdobra em muitas.

O “now and then” emerge de forma solta e inesperada: o revólver de Regina Silveira fala tanto com a série “Guns” quanto com o feminicídio e suas estrondosas estatísticas.

Glamourizada, muitas vezes objetificada e mesmo mercantilizada no “pop-raiz”, a figura feminina chega aqui atualizada, revisitada, desconstruída em forma and gênero, da Jane Fonda de 1982 (mais atual do que nunca, em seu ativismo pelas causas ambientais) às pin-ups dos anúncios de prostituição de Lyz Parayzo e às travas cíclopes do coletivo avaf.

Com a cor  e a forma – sempre elas – encontramos (novos) significados e contrastes. Sob influência, seguimos empurrando fronteiras.

Curadoria Erika Palomino

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