ROBERT INDIANA – A LOVE LETTER | MEL RAMOS – O CLICHÊ COMO RUPTURA

A Love Letter Talvez não exista um artista tão ligado ao amor quanto Robert Indiana. Em 1965 o artista criou para o MoMA de NY, um cartão de Natal com a palavra “LOVE” que logo se tornou o a imagem mais emblemática de toda sua produção. A partir deste cartão foi posteriormente, em 1970, produzido […]

A Love Letter

Talvez não exista um artista tão ligado ao amor quanto Robert Indiana. Em 1965 o artista criou para o MoMA de NY, um cartão de Natal com a palavra “LOVE” que logo se tornou o a imagem mais emblemática de toda sua produção. A partir deste cartão foi posteriormente, em 1970, produzido uma escultura ( primeiro em Nova York e depois em várias cidade no mundo ) e também em uma série de silkscreens com variações cromáticas e que fazem parte dessa exposição.

Indiana no inicio da sua carreira, se alinhou ao pensamento artístico radicalista dos seus amigos Ellsworth Kelly e Agnes Martin, mas não demorou para que sua obra se alinhasse, mesmo que de forma marginal, a cena Pop que dominava a cidade nos anos 60 e 70. E essa exposição busca tratar disso, de como um artista que só usava de símbolos e letras, se tornou tão relevante para Pop Art e mais que isso, tratava a partir desses elementos o Amor como força motriz do seu trabalho.

Uma de suas séries mais importantes, e também presente nessa mostra, é aquela na qual ele homenageia o artista americano Mardsen Hartley, morto em 1943. Hartley foi talvez o primeiro artista americano a pintar basicamente por meio de símbolos e que acabou influenciando a produção de Indiana. Na trilogia apresentada aqui na exposição, “The Hartley Series ( Berlin Series )” de 1990, ele se baseia na obra do pintor para contar a relação de amor que Hartley nutriu pelo tenente prussiano Karl von Freybourg, durante o período em que viveu em Berlin. Karl acabou morrendo durante a guerra em 1913, e isso afetou toda a vida e obra posterior de Hartley.

Essa homenagem reafirma como o amor, semiótico ou efetivo, compõe o cerne da pesquisa de Robert Indiana ( nascido em setembro de 1928 e morto recentemente, em maio de 2018 ). A exposição busca retratar esse Amor, nas mais diferentes formas abordadas por Indiana e enaltecer o trabalho de um dos artistas americanos mais importantes do século XX.

 

O Clichê como Ruptura

Mel Ramos é um dos maiores nomes da Pop Art americana. Nascido em 1935 na Califórnia, sua obra sempre foi relacionada a sexualidade e erotismo, mas pautada pela representação dos corpos reais. Buscava a beleza na diferença, na mulher real, assunto que hoje é uma das grandes questões. De certa forma sua obra dava poder a aquela mulher idealizada pelas revistas e ao mesmo tempo diminuída pela sociedade machista. Mas ainda assim, na década de 1970, foi alvo do ódio e incompreensão do movimento feminista.

Ramos continua ainda hoje produzindo imagens de mulheres nuas, pneumáticas, emergindo tal qual o “Nascimento de Vênus”, surgindo de embalagens de balas e chocolate, carregando charutos enormes e brincando com o imaginário de seus espectadores. O que é diferente é que durante uma história de 50 anos de imagens cada vez mais sexualmente provocativas na arte, mídia e cultura popular em geral, fez com que as pinturas de Ramos pareçam comparativamente inocentes nos dias de hoje.

Seu trabalho sempre esteve na beira da provocação entre o gosto aceitável e o inaceitável. No início dos anos 60, ele produziu imagens de heroínas de histórias em quadrinhos como Wonder Woman e Phanton-Lady ( presentes nessa exposição ). Ao contrário das mulheres nas pinturas de Roy Lichtenstein, as musas do Mel Ramos não eram apenas cópias ampliadas, levemente modificadas, de imagens em quadrinhos. Sua inovação foi modelar sua imagem em mulheres reais – estrelas de cinema como Jane Russell e Marilyn Monroe ou modelos anônimas. Portanto, apesar de seu estilo cômico irrealista, as mulheres de Ramos tinham uma presença erótica que as mulheres de revistas em quadrinhos da época nunca tiveram. Eram a combinação inteligente de sofisticação intelectual, consumismo criterioso e o hedonismo da época.

Por outro lado, seja por convicções estéticas, pudor ou política, o mundo da arte moderna da Europa e da América só hoje começa a repensar a questão do nu contemporâneo feminino na arte e reavaliam o trabalho de mestres como Mel Ramos. A exposição aqui propõe fazer um recorte da produção desse artista, que como nenhum outro soube escandalizar, ridicularizar a indústria do consumo americana e dar poder a figura da mulher, muito antes de isso ser pauta fácil na discussão sociológica.

 

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